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O Botafogo aprovou, em Assembleia Geral Extraordinária (AGE), uma operação que pode mudar completamente a participação da Eagle na SAF. A decisão envolve a emissão de 200 milhões de novas ações, pelo valor de R$ 0,01 cada, totalizando R$ 2 milhões.
Atualmente, Botafogo e Eagle dividem o controle da SAF em uma estrutura de aproximadamente 51% para o Botafogo e 49% para a Eagle.
O que muda com as novas ações?
A Eagle possui atualmente 90 mil ações. Com a emissão das 200 milhões de novas ações, essas ações antigas passam a representar aproximadamente 0,04% da nova estrutura, caso a Eagle não participe da subscrição.
Para manter aproximadamente os seus atuais 49%, a Eagle terá o direito de adquirir 98 milhões das novas ações, ao custo de R$ 980 mil.
O Botafogo, por sua vez, poderá subscrever 102 milhões de ações, com um desembolso de R$ 1,02 milhão.
Ou seja: a AGE criou uma situação em que a Eagle precisa decidir se coloca R$ 980 mil na SAF para preservar sua participação ou se deixa de exercer esse direito e sofre uma diluição extremamente significativa.
E se a Eagle não colocar o dinheiro?
O direito de preferência para os atuais acionistas será exercido inicialmente durante 30 dias.
Depois desse período, caso existam ações que não tenham sido subscritas, haverá uma segunda etapa, com prazo de cinco dias, para que os acionistas manifestem interesse nas chamadas sobras.
Se o Botafogo acabar subscrevendo praticamente todas as ações que não forem adquiridas pela Eagle, a participação do clube poderá chegar a aproximadamente 99,95%, enquanto a Eagle ficaria com cerca de 0,04%.
Portanto, a operação pode alterar radicalmente a relação de forças dentro da SAF.
Mas por que a situação financeira da Eagle é importante?
Porque a decisão não acontece isoladamente.
A Eagle Football Holdings, grupo criado por John Textor para controlar participações em diferentes clubes, enfrenta uma situação financeira complexa. A estrutura que detém as participações do grupo entrou em administração judicial na Inglaterra, com administradores nomeados para conduzir o processo e lidar com os credores.
O grupo também passou por problemas envolvendo outros clubes que estavam sob sua estrutura.
A participação no Lyon, por exemplo, acabou sendo vendida dentro do processo de reestruturação. A Eagle também esteve envolvida na estrutura societária do RWDM Brussels, além do Botafogo.
Isso significa que a Eagle não está tomando uma decisão sobre os R$ 980 mil olhando apenas para o Botafogo. Existe uma situação financeira muito maior envolvendo o grupo e seus ativos.
E o Botafogo também tem um passivo enorme
Do outro lado, a própria SAF Botafogo enfrenta uma situação financeira pesada.
Relatórios recentes da administração judicial apontam um passivo total na casa de R$ 3,5 bilhões, embora nem todo esse valor esteja necessariamente submetido ao processo de recuperação judicial.
Além disso, o acordo original envolvendo a SAF previa compromissos de investimento de R$ 400 milhões, além de obrigações contratuais relacionadas aos investimentos e aos orçamentos mínimos da operação do futebol.
Por isso, continuar com uma participação relevante na SAF significa também permanecer exposto à realidade financeira e às obrigações contratuais que envolvem o Botafogo.
O que acontece com a GDA?
A possível entrada da GDA, liderada por Gabriel de Alba, é outro capítulo da história.
A mudança de controle da SAF e a reorganização da participação da Eagle fazem parte de um processo maior de reestruturação societária.
A AGE, porém, tem uma função específica: aumentar o capital da SAF por meio da emissão das 200 milhões de novas ações.
A partir daí, o comportamento da Eagle diante do direito de preferência se torna uma peça importante para entender como ficará a composição acionária do Botafogo.
A questão central
No fim das contas, a AGE criou uma decisão objetiva para a Eagle:
colocar R$ 980 mil e preservar aproximadamente 49% da participação na nova estrutura ou não acompanhar a emissão e sofrer uma diluição gigantesca.
E essa decisão acontece justamente quando a estrutura empresarial da Eagle enfrenta uma crise financeira, passa por administração na Inglaterra e já precisou se desfazer de ativos importantes.
Portanto, a questão não é simplesmente “a Eagle tem R$ 980 mil para colocar no Botafogo?”.
A questão é se, diante de todo o processo de reestruturação financeira do grupo, faz sentido e é possível para a Eagle continuar mantendo uma participação relevante na SAF Botafogo.
A próxima etapa será acompanhar o prazo de 30 dias para o exercício do direito de preferência, seguido do prazo de cinco dias para eventual subscrição das sobras.
É nesse período que começará a ficar mais claro qual será o futuro da participação da Eagle no Botafogo.
Fonte: Redação Fogão Play | Botafogo | Administração Judicial | informações públicas sobre a Eagle Football

